terça-feira, abril 22, 2008

O SUS na Inglaterra...

Resolvi escrever sobre o sistema de saúde inglês porque é o absurdo que mais me salta aos olhos aqui.

Na verdade, deveria começar escrevendo sobre o país como um todo, prá deixar o sistema de saúde sob um determinado contexto.

Nao estou pensando muito prá escrever também. Ou seja, vou jogando no "papel" sem me preocupar muito com estrutura, ou seja, peço a paciência de quem se dispuser a ler...

Também, pra nao ficar um troço maçante, vou jogar um trechinho por dia ou semana.

Então, vamos lá...

O SUS da Inglaterra é chamado de NHS. Totalmente público e gratuito. Os hospitais são grandes e têm equipamentos de última geração. Tudo o que o dinheiro pode comprar.

Cada pessoa tem que ter um médico designado. Esse médico trabalha numa clínica (pode ser dele ou ele tem associados que são os donos dessa clínica). A clínica se chama "surgery".
A gente tem que escolher uma entre duas ou três dessas clínicas. Normalmente a mais perto de casa. A minha clínica não pode ser longe da minha casa. Ou seja, não posso escolher uma clínica num bairro rico, por exemplo.

Voltando ao médico, que é chamado de GP, posso ser atendido por qualquer GP da minha surgery. Mas vai ter sempre um GP que vai ser o "responsável" pela minha saúde". Se eu quebrar o braço e tiver que ir na emergência do hospital, a primeira pergunta que vão me fazer é o nome do meu GP.

Legal, né?

Seria, se funcionasse...

Tudo é nas coxas. Os GPs vêm das ex-colônias britânicas e não falam muito bem inglês.

Eles ganham bônus pelo número de atendimentos, ou seja, te recebem, examinam, escolhem um remédio e te mandam embora em 10 minutos. 10 minutos não é um número pequeno. São 10 minutos mesmo!

Prá ser atendido, vc tem que marcar hora. E muitas vezes demora alguns dias prá conseguir um horário.

Sei que tô jogando um monte de dados e detalhes, mas o que quero mostrar vem em seguida.

No Brasil, há diversas campanhas orientando vc a procurar o médico e não se tratar com o farmacêutico, né? Aqui é o contrário.

Lançaram um folheto incentivando vc a procurar o farmacêutico se seu GP estiver ocupado ou se vc não tiver muito saco de esperar a consulta.

Não acredita? Então lá vai...




A tradução dessa folha soa mais ou menos assim:

Não está se sentindo bem?

Não está seguro se quer ou nào marcar consulta com seu médico?

Não quer tomar o tempo do seu médico com uma coidinha à toa?

Então, por que não aproveitar do esquema "Farmácias para probleminhas não graves"

É mole?

2 comentários:

Maurício disse...

Nunca vi campanhas contra o atendimento por farmacêuticos, mas sim contra o atendimento por balconistas de farmácia.

Entretanto, nossa cultura local e nossa natureza magnífica estão cheias de "remédios naturais" e isso é simplesmente ignorado pelo povo e pelo sistema de saúde.

Eu, por exemplo, nunca passei pomada nas dobrinhas da minha filha, sempre corto uma ponta de babosa e refresco as raras assaduras, que poucas horas depois já estão secas.

Anônimo disse...

Voce so' se esqueceu de dizer que farmaceutico aqui no Reino Unido e' um chemist, alguem formado em farmacia. Ja' no Brasil, em geral o "farmaceutico" e' um vendedor, um mero balconista. Os farmaceuticos "reponsaveis" em geral nem sequer ficam nas farmacias.

O fato de um GP ser das "ex-colonias" nao quer dizer que eles nao saibam falar ingles, apenas tem um sotaque diferente, que deve ser melhor do que brasileiro falando (ou tentando falar) ingles.

Comparar o NHS, o primeiro sistema de saude universal do mundo, criado apos a II guerra mundial, com o SUS, de uma republiqueta, e' no minimo, hilario!