quarta-feira, junho 10, 2009

O que pode e o que não pode comer sem dor na consciência?

Bem, o Durval perguntou, em 2009/6/9, na lista do Brioco:

"Confesso minha ignorância sobre as fontes de proteína politicamente corretas.
O que pode o o que não pode comer sem dor na consciência? Por favor complete o quadro:"

Vou tentar responder...
  • Boi = não pode - se você for um leão, tigre, crocodilo, até mesmo um orangotango, e não for hindu, ai pode. Se for humano não pode, porque em tese a quem muito foi dado, muito será cobrado (biblia, não sei qual página, capítulo ou versículo);
  • Soja = não pode porque a soja é plantada em larga escala, muitas vezes é trangênica, e a "proteína de soja" é o bagaço trangênico do óleo. A menos que você seja um boi;
  • Porco = Só se você for um daqueles animais, e não for judeu nem muçulmano (muuuuuuçulmano);
  • Frango = Se for de granja, não pode, mas se for caipira, também não pode - mas se for kosher, melhor;
  • Peixe = Sardinha, salmão, atum são excelentes fontes de omega3, mas não pode, a menos que eles te entreguem o óleo de boa vontade;
  • Outros bichos (quais?) = Se tem cara, não pode. Cogumelo pode, mas não é bicho e nasce nas fezes. Mas que vegetal orgânico que não nasce das fezes, não é mesmo?
  • Outros vegetais (quais?) = Não sendo transgênico nem hidropônico nem com agrotóxico, e se for lavado com hipoclorito de titânio e ácido nítrico, temperado c/ sal light e azeite extravirgem com acidez abaixo de 0,5%, dai, se você não conseguir se alimentar MESMO de luz, que é a fonte primária de energia, dai pode, só um pouquinho.
Ah, não vá beber muita água potável, pois está acabando e tem que deixar para os outros ...
(risos)... e vocês achavam os anos 80 difíceis...

domingo, janeiro 04, 2009

Desastre Ambiental: Caça Predatória Aniquila Espécie

Natural da Mesopotâmia, a Águia de Peito Vermelho tem sua carne e seu sangue muito apreciados pelos povos Jeu, que cercam o seu habitat natural. Os Jeu temem as águias, que eventualmente realizam ataques ao seu rebanho, provocando algumas perdas. Para se prevenir, os Jeu promovem grandes caçadas à Águia de Peito Vermelho, onde toda a população é colocada em alerta e as autoridades Jeu fazem um grande esforço para eliminar a praga.
O Comportamento da Águia de Peito Vermelho se explica pela redução de seu habitat natural, provocada pelo crescimento acelerado das cidades Jeu, bem como pela escassez crescente de seus alimentos e água. Sem possibilidade de caçar na natureza, a Águia de Peito Vermelho se vê obrigada a comportamentos não usuais, a fim de se alimentar e chamar a atenção para seu problema.
Nos últimos dias de 2008, os Jeu resolveram realizar uma grande operação que ainda hoje está em andamento, visando eliminar o máximo de Águias de Peito Vermelho que pudessem. Utilizando-se de todas as estratégias ao seu alcance e de quaisquer armamento à mão, verdadeiras hordas de Jeus invadiram o reduzido habitat onde a Águia está confinada, matando centenas de membros da espécie, numa verdadeira chacina. A Águia de Peito Vermelho, ao se sentir ameaçada, fará de tudo para se manter de pé.
Não podemos permitir mais matanças contra a Águia de Peito Vermelho. Este artigo é um grito de protesto em favor da vida.

Se você se sensibilizou com o que estão fazendo a esse animal, saiba que eu menti. Quem está sendo perseguido é uma população humana, e não uma Águia. Quem está perseguindo não é um povoado, mas um dos mais bem preparados e equipados exércitos do mundo.

A mídia ao redor do mundo convencionou chamar os ataques palestinos de "ataques terroristas"; em qualquer outro lugar no mundo, quem luta pela terra que julga sua é um inconformado, revolucionário, guerrilheiro; mas este povo, que foi expulso de sua própria terra, e deseja retomá-la, ou ao menos dizer que a terra que ocupam agora é seu país, é chamado de terrorista. A luta do povo palestino se dá com mísseis sucateados e muitas vezes caseiros, detonados com fósforos como se fossem rojões; também são comuns as imagens de crianças e adultos atirando pedras contra os soldados israelesnses. E, sim, também são comuns os relatos de perdas civis de ambos os lados, porém em número obviamente muito maior do lado mais fraco.

Nós, aqui do distante e individual "ocidente", lutando todos os dias para conseguir o dinheiro que fará de nossos filhos pessoas mais e mais bem preparadas para enfrentar a concorrência global cada vez mais acirrada que transforma cada ser humano numa pequena e desgastada célula de trabalho ininterrupto, olhamos com pouco interesse uma guerra que não nos diz respeito, que não entendemos e pela qual vemos cada vez menos sendtido. E, assim como fazemos com os problemas de nossos países, cidades, trabalhos, casamentos e demais grupos sociais a que pertencemos, deixamos para lá, pois temos que focar no essencial, que é o nosso pequeno e redondo umbigo. Toda a informação que realmente gerenciamos é aquela que traz lucro, é a premissa para sairmos de casa, é a premissa para de fato nos importarmos e nos movermos por algo. Assim é que o homem ocidental, cartesianamente, "faz a américa", como diziam os imigrantes do século XX que para cá vinham. Os Palestinos mortos, quase 500 pelas contagens oficiais até agora, não estão em nossas prioridades.

Mas o meio ambiente está. Se uma empresa quer ser vista como responsável, se quer uma linha de crédito, ou se quiser ter suas ações na bolsa de NY, ela deve preservar e recuperar o meio ambiente, com ações comprovadas em seus balanços. Os consumidores dessas empresas também exigem ver a natureza por trás da linha de produção, e ai vêm as sacolas de pano cru, as embalagens em papel kraft que lembram o reciclado, as amarrações em cizal, e principalmente as propagandas que aliam felicidade e bem estar com natureza e verde e bondade. Ok, preservermos o meio ambiente, todos. Inclusive cuidando para que não se extermine uma "raça" de seres humanos, que não se poluam suas águas, que não se destruam suas moradias e hospitais, e que permitam um reequilíbrio de sua vida, em uma terra para chamar de sua: Dêem a Palestina aos Palestinos já, dividam o que deve ser dividido, e chega dessa guerra!

Existem acordos que israel não cumpriu ainda, a começar com a resolução 242 da ONU, que determina que Israel deve voltar às suas fronteiras ocupadas antes de 1967. Quem sabe se eles tentassem isso, não seria um passo real para a paz? Ao invés disso, preferem continuar acusando o Hamas de terrorismo, que por mais truculento que seja, foi eleito pelo povo palestino para defender seus interesses.

Israel deveria pensar nisso, ou assumir a limpeza étnica que está fazedo em Gaza, provavelmente por motivos eleitoreiros. A Águia de Peito Vermelho existe, e é imortal: você mata uma, e vem outra em seu lugar.

sábado, junho 28, 2008

Sã Consciência?

Os anos 60 e 70 gritavam por liberdade política, liberdade de expressão, mas acima de tudo aqueles foram anos de convencimento e conscientização. Acreditavam então os jovens rebeldes que seu gesto libertário, sua provocação mais ou menos saudável e a obviedade de uma certeza só fariam bem ao mundo. Cair na real era imprescindível, deixar a máscara da tradição ir embora cedendo lugar ao novo, ao natural, ao sexual - essas eram as curas e loucuras.
Pasamos pelos 80, a "década perdida", como que uma entresafra de pensamentos: de um lado o radicalismo das décadas anteriores, de outro o período atual, liberal "global", pasteurizado em emoções.
Marcada pelos insucessos das experiências comunistas no mundo, principalmente - mas não somente - na avaliação do olhar ocidental - a nova esquerda começou a buscar outras vias para a concretização de suas visões de mundo, mais realistas, posto que o mundo das certezas foi deixando de existir após a década de 80. Fim do "certo" e do "errado", as relaçõe passam a girar em torno do que é possível e tolerável pela outra parte. Concessões para a governabilidade, e entramos na década de 90, fim de qualquer sonho e início da dura realidade: criamos leis, normas e modos de usar, pois ninguém tinha real vontade de realmente aprender e tomar consciência. Ao que parece hoje, ninguém realmente vai agir de bom grado, tudo será uma grande troca que alguém fará por algo. Assim, não fazemos caridade por bondade, mas por culpa. Não paramos de fumar por que faz mal, mas porque é proibido. Não usamos cinto pela catástrofe possível, mas por que dá multa. Idem idem para o álcool e a direção. Não dirigimos nossa vida, se é que algum dia o fizemos... deixamos nas mãos dos outros, enquanto nos ocupamos de um hedonismo liberal que virou razão de vida em si, razão em vida esvaziada, sem propósito e sem sentido, sem lenço nem documento.

quinta-feira, maio 01, 2008

A próxima colônia americana...

As duas semanas em Manaus foram interessantes para conhecer um Brasil um pouco diferente, mas chegando em Boa Vista (RR) não pude resistir a fazer um relato das coisas que tenho visto e escutado por aqui. Conversei com algumas pessoas nesses três dias, desde engenheiros até pessoas com instrução mínima. Para começar o mais difícil de encontrar por aqui é roraimense, prafalar a verdade, acho que a proporção é de um roraimense para cada 10 pessoas é bem razoável, tem gaúcho, carioca, cearense, amazonense, piauiense, maranhense e por aí vai. Portanto falta uma identidade com aterra. Aqui não existem muitos meios de sobrevivência, ou a pessoa é funcionária pública, e aqui quase todo mundo é, pois em Boa Vista se concentram todos os órgãos federais e estaduais de Roraima, além da prefeitura é claro.

Se não for funcionário público a pessoa trabalha no comércio local ou recebe ajuda de Programas do governo. Não existe indústria de qualquer tipo. Pouco mais de 70% do Território roraimense é demarcado como reserva indígena, portanto restam apenas 30%, descontando-se os rios e as terras improdutivas que são muitas, para se cultivar a terra ou para a localização das próprias cidades.

(Na única rodovia que existe em direção ao Brasil (liga Boa Vista a Manaus, cerca de 800 km) existe um trecho de aproximadamente 200 km reserva indígena Waimiri Atroari) por onde você só passa entre 6:00 da manhã e 6:00 da tarde, nas outras 12 horas a rodovia é fechada pelos índios (com autorização da FUNAI e dos americanos) para que os mesmos não sejam incomodados. Detalhe: Você não passa se for brasileiro, o acesso é livre aos americanos, europeus e japoneses. Desses 70% de território indígena,diria que em 90% dele ninguém entra sem uma grande burocracia e autorização da FUNAI.


Detalhe:
Americanos entram na hora que quiserem, se você não tem uma autorização da FUNAI mas tem dos americanos então você pode entrar. A maioria dos índios fala a língua nativa além do inglês ou francês, mas a maioria não sabe falar português. Dizem que é comum na entrada de algumas reservas encontrarem-se hasteadas bandeiras americanas ou inglesas. É comum se encontrar por aqui americano tipo nerds com cara de quem não quer nada, que veio caçar borboleta e joaninha e catalogá-las, mas no final das contas, pasmem, se você quiser montar um empresa para exportar plantas e frutas típicas como cupuaçu, açaí camu-camu etc.,medicinais, ou componentes naturais para fabricação de remédios, pode sepreparar para pagar 'royalties' para empresas japonesas e americanas que já patentearam a maioria dos produtos típicos da Amazônia... Por três vezes repeti a seguinte frase após ouvir tais relatos: É, os americanos vão acabar tomando a Amazônia e em todas elas ouvi a mesma resposta em palavras diferentes. Vou reproduzir a resposta de uma senhora simples que vendia suco e água na rodovia próximo de Mucajaí: 'Irão não minha filha, tu não sabe, mas tudo aqui já é deles, eles comandam tudo, você não entra em lugar nenhum porque eles não deixam. Quando acabar essa guerra aí eles virão pra cá, e vão fazer o que fizeram no Iraque quando determinaram uma faixa para os curdos onde iraquiano não entra, aqui vai ser a mesma coisa'.

A dona é bem informada não? O pior é que segundo a ONU o conceito de nação é um conceito de soberania e as áreas demarcadas têm o nome denação indígena. O que pode levar os americanos a alegarem que estarão libertando os povos indígenas. Fiquei sabendo que os americanos já estão construindo uma grande base militar na Colômbia, bem próximo da fronteira com o Brasil numa parceria com o governo colombiano com o pseudo objetivos de combater o narcotráfico. Por falar em narcotráfico, aqui é rota de distribuição, pois essa mãe chamada Brasil mantém suas fronteiras abertas e aqui tem Estrada para as Guianas e Venezuela.Nenhuma bagagem de estrangeiro é fiscalizada, principalmente se for americano, europeu ou japonês, (isso pode causar um incidente diplomático)... Dizem que tem muito colombiano traficante virando venezuelano, pois na Venezuela é muito fácil comprar a cidadania venezuelana por cerca de 200 dólares. Pergunto inocentemente às pessoas; porque os americanos querem tanto proteger os índios. A resposta é absolutamente a mesma, porque as terras indígenas além das riquezas animais e vegetais, da abundância de água são extremamente ricas em ouro (encontram-se pepitas que chegam a ser pesadas em quilos), diamante, outras pedras preciosas, minério e nas reservas norte de Roraima e Amazonas, ricas em PETRÓLEO. Parece que as pessoas contam essas coisas como que num grito de Socorro a alguém que é do sul, como se eu pudesse dizer isso ao presidente ou aalguma autoridade do sul que vá fazer alguma coisa. É pessoal, saio daqui com a quase certeza de que em breve o Brasil irá diminuir de tamanho.

Um grande abraço a todos.

Mara Silvia Alexandre Costa


Depto de Biologia Cel. Mol. Bioag.Patog. FMRP - USP

segunda-feira, abril 28, 2008

Um outro ponto de vista...

Segue o link sobre um texto de um escritor de esquerda sobre a Venezuela e o Hugo Chavez que saiu num grande jornal da Inglaterra na semana passada.

E' um excelente exercicio para se ampliar campos de visao.

Infelizmente o texto esta' em ingles.

http://www.johnpilger.com/page.asp?partid=485

sábado, abril 26, 2008

Como foram os seus 10 úlimos anos?

Por que escrevo? Por quem escrevo? O brioco coça em cada um por um motivo diferente. Uns condoem-se pela política, outros pela ecologia, outros ainda doem-se por que a vida neles dói demais. Existem aqueles que escrevem por precisarem simplesmente dar vazão extra à pressão diária do mundo sobre seus rins e tímpanos.

Meu tímpano não dói mais. Ouvi muitas besteiras na vida, ainda ouço, e realmente meu tímpano está calejado.
A política não me dói mais. Não adianta ninguém perder seu tempo me explicando os porquês, pois eu simplesmente não consigo não dormir durante a leitura do caderno Brasil, durante um jornal nacional, durante uma dura autocrítica do governo, durante uma nova crise ética que abala a nação. Eu durmo. Nada disso me impedirá de dormir, posto que eu enxergo e farejo a falsidade do discurso, mantenedor de cargos e salários, a quilômetros. Eu tive ilusões acerca disso, não as tenho mais. Acredito sim que instituições éticas sejam factíveis, porém duvido que sejam abundantes e, na nossa gestão, não veremos sua predominância. Os espíritas kardecistas costumam dizer que, dentro de sua crença na pluralidade dos mundos para suportar a pluralidade das existências (reencarnações), o nosso planeta está longe de ser considerado evoluído. Quem há de negar?

A ecologia não me dói mais tanto. Acredito que o homem esteja destruindo o meio ambiente e que isso deva ser consertado/evitado/reparado /alertado, mas acho realmente que estão errando a mão no discurso ecológico, como erraram no discurso do bug do milênio, e que estão realmente utilizando o argumento ecológico como ferramenta de vendas de vários produtos, assim como se vende grades, câmeras e sistemas de segurança remoto, como se vende a segurança . E depois, como li em um texto do Dal (da Agência Envolverde ) no seu blog (http://dalmarcondes.blig.ig.com.br), o mundo não precisa de salvação, ele vem se recuperando muito bem há milhões de anos... nós, a humanidade é que precisamos...
nós é quem somos o parasita que infestamos o planeta. Olhe por uma janela, e verá tudo infestado pelas nossas colméias.

Me veio a vontade promover ações que culminassem com o resgate do brioco, pelo que encontrei na leitura dos textos antigos: Alma, encontrei alma nos textos, nos meus e nos dos colegas autores, e me pergunto onde foram parar tais almas. E me respondo que foram parar onde sempre estiveram, essas almas... apenas que tais almas somos humanos e vivemos como humanos, e somos poetas manifestos apenas quando é possível, e somos unidos apenas quando o contexto e as conveniências da vida assim permitem. Oito anos e a morte sem aviso de um pai talvez tenham deixado-me menos crédulo, mas também deram-me mais humanidade, julgo eu.

quarta-feira, abril 23, 2008

Mais atual do que nunca!

O MEDO CAUSADO PELA INTELIGÊNCIA - JORNAL DA BAHIA - Sábado, 23/09/1979

Quando Winston Churchill, ainda jovem, acabou de pronunciar seu discurso de estréia na Câmara dos
Comuns, foi perguntar a um velho parlamentar, amigo de seu pai, o que tinha achado do seu primeiro desempenho naquela assembléia de vedetes políticas. O velho pôs a mão no ombro de Churchill e disse, em tom paternal: " Meu jovem, você cometeu um grande erro. Foi muito brilhante neste seu primeiro discurso na Casa. Isso é imperdoável. Devia ter começado um pouco mais na sombra. Devia ter gaguejado um pouco. Com a inteligência que demonstrou hoje, deve ter conquistado, no mínimo, uns trinta inimigos. O talento assusta."

E ali estava uma das melhores lições de abismo que um velho sábio pode dar ao pupilo que se inicia numa carreira difícil. A maior parte das pessoas encasteladas em posições políticas é medíocre e tem um indisfarçável medo da inteligência. Isso na Inglaterra. Imaginem aqui no Brasil. Não é demais lembrar a famosa trova de Ruy Barbosa:

Há tantos burros mandando
Em homens de inteligência
Que às vezes fico pensando
Que a burrice é uma Ciência.

Temos de admitir que, de um modo geral, os medíocres são mais obstinados na conquista de posições. Sabem ocupar os espaços vazios deixados pelos talentosos displicentes que não revelam o apetite do poder. Mas é preciso considerar que esses medíocres ladinos, oportunistas e ambiciosos, têm o hábito de salvaguardar suas posições conquistadas com verdadeiras muralhas de granito por onde talentosos não conseguem passar. Em todas as áreas encontramos dessas fortalezas estabelecidas, as panelinhas do arrivismo, inexpugnáveis às legiões dos lúcidos. Dentro desse raciocínio, que poderia ser uma extensão
do Elogio da Loucura de Erasmo de Roterdan, somos forçados a admitir que uma pessoa precisa fingir de burra se quiser vencer na vida. É pecado fazer sombra a alguém até numa conversa social. Assim como um grupo de senhoras burguesas bem casadas boicota automaticamente a entrada de uma jovem mulher bonita no seu círculo de convivência, por medo de perder seus maridos, também os encastelados medíocres se fecham como ostras à simples aparição de um talentoso jovem que os possa ameaçar. Eles conhecem bem suas limitações, sabem como lhes custa desempenhar tarefas que os mais dotados realizam com uma perna nas costas, enfim, na medida em que admiram a facilidade com que os mais lúcidos resolvem problemas, os medíocres os repudiam para se defender. É um paradoxo angustiante. Infelizmente temos de viver segundo essas regras absurdas que transformam a inteligência numa espécie de desvantagem perante a vida. Como é sábio o velho conselho de Nelson Rodrigues.

Finge-te de idiota e terás o céu e a terra.
O problema é que os inteligentes gostam de brilhar,
que Deus os proteja.